Monday, January 18, 2010

“Cooperação Universidade-indústria é fundamental para a criação de riqueza e de valor acrescentado para a economia nacional e regional”

Quem o afirma é António Tavares, director-geral do Tecmaia, à margem da Conferência Internacional de Empreendedorismo e Inovação, que decorreu nos dias 16 e 17 de Novembro, no Auditório Business Center do Tecmaia. Acrescenta que “para fazer funcionar esta relação é fundamental a criação de redes de parcerias e fazê-las participar na vida de ambas as instituições num clima de grande interacção”. Sublinha que “da nossa parte criámos um Conselho Cientifico do Tecmaia cuja participação tem o contributo do prof. Borges de Gouveia, da Universidade de Aveiro, Oliveira e Silva, do Ismai, e Novais Barbosa, da Universidade do Porto, sendo este o órgão por excelência onde fazemos este interface”.
Inovação e Empreendedorismo - O que é o Tecmaia? Como surgiu e quais são os seus objectivos?
António Tavares - Desejado logo em 1991, com a criação do Parque de Ciência e Tecnologia do Porto, teve a sua implantação sempre preterida por outros projectos. Por isso, quando o Ministro da Economia desafiou a Câmara Municipal da Maia (CMM) para encontrar uma solução para a saída da Texas e da Samsung de Portugal: era a oportunidade e o momento de avançar. É um Parque de Ciência e Tecnologia que nasce como um indutor de desenvolvimento regional, uma ideia e um conceito que poderíamos definir como uma infra-estrutura hospedeira de actividades inovadoras e de base tecnológica num ambiente qualificado de multicompetência, desde a disponibilização de uma vasta gama de serviços de apoio às empresas a uma envolvente proporcionadora de uma qualidade de vivência e de qualidade ambiental, contribuindo para o desenvolvimento regional e a dinamização do tecido empresarial. Os seus objectivos são pois naturais. Captar investimentos e criar emprego qualificado.
I&E- Relativamente à colaboração entre a universidade e a indústria, o Prof. Robert Carlson afirmou, neste mesmo espaço, que as “Universidades não fazem o suficiente para chegarem à indústria”. Concorda com esta posição?
AT - Muitas vezes, é assim. Contudo, gostaria de salientar o grande esforço do Ismai, que participa no nosso capital e vai instalar um Centro de Apoio ao Empreendedorismo no Tecmaia (CEITEC), e da Universidade do Porto, onde o papel do professor Emídio Gomes, como Pró-Reitor, é de realçar pelo seu empenho nesta ligação empresas-universidades.
I&E- Culturalmente existem diferenças entre a sociedade portuguesa e outras, por exemplo a americana, que influenciam o carácter empreendedor, e portanto a capacidade em assumir o risco. Concorda com esta afirmação? Que ambição tem o Tecmaia nessa matéria?
AT - É claro que sim. Mas as diferenças do risco devem-nos incentivar a procurar apoiar mais empreendedores e pessoas que queiram correr riscos saudáveis na ajuda à economia. Portugal desde sempre tem páginas da sua história de empreendedorismo. Estou a lembrar-me dos Descobrimentos. A nossa ambição será contribuir para essa nova cultura. A marca MAIA tem hoje, com a sua liderança, um traço próprio e personalizado, só possível porque existe um perfil empreendedor neste concelho, personificado na sua liderança política. Não se esqueça que além do Tecmaia, a Maia tem a sede da Sonae, da CIN, da Bial entre outras grandes empresas.
I&E- Que mudanças no nosso ensino e culturais deverão ocorrer para afastar o estigma do fracasso e dessa forma a sociedade como um todo possa promover o empreendedorismo?
AT - A Universidade deve estar mais próxima das empresas, como já referi. Era muito importante ter uma disciplina de Educação Cívica nas escolas e fazer os mais jovens terem espírito empreendedor, fazendo-os visitar as empresas e criar programas de estágio para esses mesmos jovens junto das empresas.
I&E- Que projectos o Tecmaia irá desenvolver no futuro?
AT - Na sua primeira fase, entre 1999 e 2005, o projecto assentou fundamentalmente na remodelação dos edifícios visando criar condições de alojamento de um primeiro núcleo de empresas e de unidades de investigação. Foi, assim, possível criar 370 postos de trabalho, altamente qualificados, e instalar cerca de 40 empresas. Após a conclusão desta segunda fase, o Tecmaia vai dis¬por de uma capacidade de alojamento empresarial e de unidades de investigação cinco vezes superior à actual, num ambiente de grande qualidade ambiental e urbana. As áreas da saúde, do agro-alimentar e biotecnologia são agora os nossos alvos para desenvolvimento. Também as indústrias criativas vão estar no centro das nossas preocupações com a criação de um pólo de incubação para estas áreas.

[João Mendes, in Inovação e Empreendedorismo, Dezembro de 2009]